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domingo, 4 de maio de 2008

Feliz Aniversário ....


No dia do aniversário

A gente às vezes tem vontade

De se esconder dentro do armário

Mas aí vem um com um beijo

Outro realizando um desejo

E aquele que está sempre atrasado

Chega super animado

Estourando um champanhe

Mesmo que eu estranhe

E não entenda muito bem

Por que tantos parabéns

Fico feliz com os presentes

Agüento melhor os parentes

E não me pergunto na hora

O que há de mentirinha

Nessa anual história

Quem me dera tanto afeto

Duas vezes por semana

Pra derreter a couraça

Pra amenizar minha gana

Congelaria se possível

Muitos pedaços do bolo

Pra durante o ano carente

Come-los como consolo



sábado, 29 de março de 2008


Eu tenho pena da Lua!

Tanta pena, coitadinha,

Quando tão branca, na rua

A vejo chorar sozinha!…

As rosas nas alamedas,

E os lilases cor da neve

Confidenciam de leve

E lembram arfar de sedas

Só a triste, coitadinha…

Tão triste na minha rua

Lá anda a chorar sozinha …

Eu chego então à janela:

E fico a olhar para a lua…

E fico a chorar com ela! …
[Florbela Espanca - 1917]

quinta-feira, 20 de março de 2008

Poema de Outono


O vento soprou
Tão doce e sereno
Tocou-me de leve
Girou sentimentos
Dormentes, silentes
Que em vôo rasante
Tocaram o chão
O fundo da alma
Fez-se de cor de ouro
Castanho ou laranja
Deu frutos já secos
De um doce amargo
Surgiu o Outono
No meu coração

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Súplica



Olha pra mim, amor, olha pra mim;

Meus olhos andam doidos por te olhar!

Cega-me com o brilho de teus olhos

Que cega ando eu há muito por te amar.


O meu colo é arrninho imaculado

Duma brancura casta que entontece;

Tua linda cabeça loira e bela

Deita em meu colo, deita e adormece!


Tenho um manto real de negras trevas

Feito de fios brilhantes d'astros belos

Pisa o manto real de negras trevas

Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!


Os meus braços são brancos como o linho

Quando os cerro de leve, docemente...

Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te

Nessa cadeia assim eternamente!...


Vem para mim, amor... Ai não desprezes

A minha adoração de escrava louca!

Só te peço que deixes exalar

Meu último suspiro na tua boca!...


(Florbela Espanca)